Quero ser Escuteiro

Amigos, floresta e aventura – o movimento escutista possibilita experimentar a natureza e fazer novos amigos. Estarás pronto para avançar?

Para iniciares o processo de inscrição é necessário:

  1. Ler a informação abaixo;
  2. Preencher e enviar o formulário de pré-inscrição ou então imprime este ficheiro, preenche-o e entrega em mão na sede.

 

PIForm

1. O Escutismo de Baden-Powell

Baden-Powell, cristão, dotou o escutismo de uma espiritualidade muito próxima da visão cristã do homem e do mundo. Isso permite que a fé e o Evangelho de Jesus Cristo sejam anunciados e vividos na vida escutas.

Para o fundador do escutismo “o homem de pouco vale se não acreditar em Deus e obedecer às suas leis. Por isso todo o escuteiro deve Ter a sua religião” (1). E a religião, segundo Baden-Powell, é uma coisa bem simples amar e servir a Deus, amar e servir o próximo (2).

Relativamente ao problema religioso, Baden-Powell, distingue dois aspetos fundamentais e diferentes, embora muito ligados: um deles é o espirito religioso e o outro é a prática religiosa. Em relação ao primeiro, estava convencido de que todo o homem tinha no mais íntimo da sua consciência esta “ligação”, esta necessidade de relação com a transcendência, com Deus. Defendia que todas as religiões deviam ser respeitadas e cada qual devia assumir a sua, como fator de equilíbrio, diríamos, nós hoje, fator de humanização. Em relação à prática religiosa, achava importante que se impulsionasse cada escuteiro à prática da sua respetiva religião, porque acreditava que nenhuma educação — e sobretudo a educação escutista — pode conceber-se sem a ajuda e a intervenção duma prática religiosa, já que ela representa para o jovem um apoio notável na tarefa do desenvolvimento.3

O escutismo nasce, pois, com um pendor a confessional, mas tem como aspeto fundamental a abertura a esta dimensão fundamental do ser humano, na “pista” da intuição genial e da espiritualidade do seu fundador, Baden-Powell. Seguindo esta inspiração, a Conferência Mundial do Escutismo resumiu as diretivas que guiam o Movimento Escutista no que respeita à religião, nos seguintes pontos fundamentais:

  1. Todo o Escuteiro deve pertencer a uma determinada religião e participar nos atos do seu culto.
  2. Quando os membros de uma Unidade pertençam todos a uma determinada religião, o seu chefe deve cuidar que se observem as práticas e os ensinamentos da mesma, tal como o determine o sacerdote ou a autoridade religiosa pertinente.
  3. Quando os membros de uma Unidade pertençam a confissões religiosas distintas, procurar-se-á que cada um deles frequente os cultos da respetiva Igreja, sem que, em tal caso, se realizem assembleias religiosas especiais e, nos acampamentos, a oração quotidiana e a função semanal deverão tomar a forma mais simples e participação nelas será voluntária.
  4. Quando os preceitos de uma religião impeçam um escuteiro de participar em outras cerimónias religiosas que não sejam as suas, os chefes deverão cuidar que esta particularidade seja tida em conta” (4).

 

2. O Escutismo Católico

O Corpo Nacional de Escutas é, desde a sua fundação, um Movimento confessional, fundado em 1923 com inspiração no Escutismo Católico que era já praticado em alguns países da Europa. Como é evidente, a opção da fé, e concretamente da Fé Católica, faz parte integrante da sua metodologia e da sua pedagogia (5). Na verdade é uma opção que vem contemplada na intuição do fundador, e que em nada a subestima ou contradiz. Dá-se, pois, o caso de, na adesão ao CNE, os jovens ou os pais conhecerem a sua orientação, ou de, pelo menos, a quererem assumir assim que tomem conhecimento dela. A Promessa dos escuteiros no CNE é feita pela própria honra e pela graça de Deus e tem como primeiro elemento o cumprimento dos deveres para com Deus e a Pátria, e o primeiro Principio do escutismo Católico é: “O Escuta orgulha-se da sua fé e por ela oriente toda a sua vida” (6). Pertencer a um Movimento que tem a fé como um dos suportes ou pilares da sua pedagogia, significa necessariamente que “esta opção de fé tem de ser conhecida, assumida e vivida dentro da família escutista” (7). Segundo a nova “Pedagogia do projeto”, qualquer atividade deve estar imbuída deste espírito. Assim, a “Grande caçada”, a “Aventura”, o “Empreendimento” e a “Caminhada”, além de deverem Ter em conta a pedagogia da fé desde a elaboração do projeto à sua realização e avaliação, devem também dar lugar à celebração e à festa que incluem a componente da fé” (8). Esta área, como o próprio nome indica, não é apenas um acrescento, nem muito menos uma instrução “teórica” afirma Baden-Powell: “A fé não é uma vestimenta externa que cada um põe para usar aos domingos. É uma parte importante do carácter do rapaz; um desenvolvimento da alma e não um revestimento para pôr ou tirar. E questão de intima convicção, não de instrução. Atualmente os atos de grande parte dos nossos rapazes são muito pouco guiados por uma convicção religiosa. Isto pode atribuir-se, em grande parte, ao facto de que com frequência se tem empregado a instrução em vez da educação, na formação religiosa do rapaz” (9). A tarefa da educação, da formação, da animação para o aprofundamento e a vivência da própria fé, pertence a todos, mas em primeiro lugar à equipa de animação de cada Secção ou Unidade em coordenação com a Direção do Agrupamento e em particular com o Assistente religioso do mesmo, que costuma ser o Pároco do lugar. A existência da função de Assistente não se deve só à interação do Agrupamento na comunidade paroquial, mas também à necessidade dum acompanhamento mais especializado e competente nesta área em que, por motivos de vária ordem, os dirigentes não estão suficientemente preparados.

 

3. Documentos do Magistério da Igreja

O Concilio Vaticano II apresenta a Igreja como sacramento universal da salvação, mistério da comunhão, comunhão de comunhões (10). Nesta comunhão insere-se o Escutismo Católico como “Movimento da Igreja Católica para a formação integral da juventude (11). Daqui se depreende que a vida da fé, a vida em comunhão se vive e manifesta em comunidade de fé, culto, caridade e missão, com tudo o que isso implica (12). A Conferência Episcopal Portuguesa chama a atenção dos Movimentos e das Associações Eclesiais para que sejam formas de experiência comunitária e para que estejam orientados para a edificação da Igreja como comunidade de salvação e que procurem harmonizar a sua fisionomia própria com o ritmo e os programas pastorais de cada Igreja partícula (13), ou seja, a Diocese e a Paróquia. No que respeita a cada escuteiro, as normas, melhor, o desejável é que a sua vida pessoal e comunitária seja de profundo conhecimento e de vivência autêntica dos valores cristãos, na comunhão integral que é a Igreja.

 

4. Conclusões Práticas

Qualquer jovem, ao contactar o CNE, deve (ele próprio, ou os seus pais, no caso dos mais novos) saber da especificidade deste movimento. Assim, poderá aderir conscientemente ao seu estilo de vida ou, muito simplesmente, não aceitará os seus princípios e não se comprometerá com algo que não está disposto a levar a sério. Põe-se frequentemente a questão da catequese para os escuteiros: “É necessária? É obrigatória? Pelo que atrás ficou “dito”, seja em relação ao pensamento de Baden-Powell, seja nos princípios da conferência Mundial do Escutismo (nº 2), ou pela nossa condição de Escuteiros Católicos, a resposta apresenta-se-nos óbvia: na vida, necessária e obrigatória, é, antes de mais, a coerência. Se a catequese é para todos os católicos u período de crescimento, de aprofundamento da fé e da vida que leve à opção fundamental, não parece que seja de colocar de lado, “de ânimo leve”. Por outro lado podemo-nos perguntar: “Mas a formação dada no escutismo católico não é suficiente?”. A resposta aparece muito clara nos momentos importantes de crescimento da vida de qualquer cristão: Os Sacramentos e outras celebrações afins, como sejam: a Primeira Comunhão, a profissão de Fé e o Crisma… Nessa altura constatamos que os que não participam na catequese não estão preparados e que é necessária uma caminhada específica, que só pode ser feita na catequese. Não parece que se possa ser verdadeiramente cristão católico sem fazer uma caminhada de crescimento e participação na vida da comunidade e nas suas formas e etapas fundamentais. Porque não existem os tais “católicos não praticantes”. As coisas ou são assumidas, ou há que Ter a humildade da coerência para evitar a hipocrisia e a indefinição. Um dos problemas que se coloca é o da dificuldade em compatibilizar os horários a fim de que só escuteiros possam participar na catequese. Quando existe mesmo o sentido da importância das coisas, consegue-se conciliar tudo. Uma possibilidade será participar na catequese durante a semana. Tudo o que atrás se disse é fruto de uma preocupação que tem vindo a crescer no nosso Agrupamento, com vista a esclarecermos a nossa identidade de Escuteiros Católicos a fim de nos aproximarmos, tanto quanto possível, do que seria o ideal:

  1. Viver o escutismo como uma verdadeira forma de vida e não como um “passatempo”.
  2. Assumir a nossa condição de Escuteiros Católicos, que vivem a fé numa comunidade, que cresceu na mesma fé através da aprendizagem, da formação, da participação, da partilha, da preparação e recepção dos sacramentos, através dum caminho que leve cada um à sua realização integral como pessoa.

 

5. Carta do CNE

“O Corpo Nacional de Escutas – CNE – é o Escutismo Católico Português, movimento de voluntariado e autoeducação de rapazes e raparigas, com o apoio de adultos. Os Escuteiros do CNE querem viver integralmente o Escutismo, como estilo de vida proposto por Baden-Powell, seu fundador, em fraternidade e de forma criativa, à luz de Jesus Cristo e do Evangelho. O CNE privilegia o contacto com a Natureza e promove o respeito do Escuteiro por si próprio e pelos outros. A vida em pequenos grupos e o compromisso pessoal são elementos fundamentais do método escutista que se desenvolve na ação, na responsabilidade de cada um e no serviço aos outros, começando em casa. Na comunidade, o CNE assume a missão de formar, contínua e progressivamente, o Homem-Novo, aquele que, inconformado e humildemente, procura a perfeição como resposta aos desafios da Igreja, da Sociedade e da Família, rumo à Felicidade.

 


(1) BADEN-POWELL, Escutismo Para Rapazes, Edição do Corpo Nacional de Escutas, Lisboa 1993, pág. 256.
(2) Cf. Ibidem.
(3) Cf. S.A., A importância da Religião, in Flor de Lis - Órgão oficial do Corpo Nacional de Escutas, N° , Julho/Agosto de 1993, Pág. 6
(4) Op. Cit., Loc. Cit.
(5) CNE, Pedagogia da Fé no Escutismo, Edição do Corpo Nacional de Escutas, Lisboa, 1991, Pág. 6
(6) CNE Promessa.
(7) Ibidem.
(8) Cf. A A. VV. Manual do Dirigente 1 — Pedagogia do projecto, Edição do CNE, Lisboa, 1993, Pág. 31
(9) Ibidem, Pág.9
(10) Cibidem, pág. 9 f. LG 1 e 2
(11) Formulário da Promessa de Dirigente do CNE
(12) Cf. LG 1,9,48
(13) Cf. Conferência Episcopal Portuguesa, Normas Gerais para a regulamentação das Associações dos Fiéis, Fátima, 1988, 1-4 2

 

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